A ti, Coimbra.
Recordo-me do dia em que deixaste de encher o meu olhar e de ser cenário dos meus dias. Tu que és pequenina e te deixas adormecer no Mondego assim que a noite cai e os teus estudantes de capas negras se deitam. Tu que foste capital e que ensinas tanto quanto as pedras gastas da calçada que tens. Tu que me viste nascer e fizeste crescer feliz dando um sabor especial à minha vida …Pensas que te esqueci, que te troquei? Não minha querida, aliás, tenho imensas saudades tuas e das minhas pessoas que ainda vivem por aí, em ti. Expliquei-te que tinha de partir, afinal, "o sonho comanda a vida". Agora é Lisboa que me embala e acorda sempre num frenesim que aí não tens. Passeio-me em ruas que não conheço, em transportes públicos confusos, nesta babilónia de cores, de cheiros, de dialectos e sotaques. A cidade das sete colinas onde descansou Ulisses e eu começo uma vida nova, cheia de gente que nunca vi e de coisas que ainda não aprendi.
Vim perder-me Sozinha (ou Acompanhada!), atrás de um Sonho, atrás de uma Vontade, atrás de Palavras e Versos perdidos, Atrás de Rostos e Acontecimentos. Pensas que não tenho medo, que não me assusta viver sem a tua certeza? Claro que seria mais fácil andar nesses teus caminhos que já sei de cor mas sei que sabes que temos de optar. Tenho a certeza que me acolherás se me perder. E, como te cantam tão bem, "Coimbra tem mais encanto na hora da despedida".
26 de novembro de 2007
16 de novembro de 2007
E quando os sentidos pensavam já te saber de cor ouvi-te cantar! Senti na pele o gemer choroso da guitarra, ouvi os incansáveis aplausos e o trautear das canções tão tuas e nossas. Vi esse pesar triste do povo que vai, vem, contrói, desconstrói mas te ama sempre por essas ruas de calçada gasta, de cheiros tão teus. E não me cansei de esticar o pescoço, de sorrir e bater palmas, muitas palmas. Minha Lisboa... Meu fado, meu fado, meu fado!
29 de outubro de 2007
Que saudades minha querida de ver esse teu sorriso rasgar essas grandes bochechas gordinhas; de te ver chegar da escola a falar muito, imenso; de te ver dançar sem vergonha, sem medo dos que te olham, apenas porque tens um sonho; de te ver implorar que te vão deitar e aconchegar os lençóis sem nunca confidenciares o pavor que tens do escuro e da solidão; de te ver agarrada ao pescoço da mãe e da avó e do pai. Que saudades...
E pensar que não te volto a ver, nem a sentir. Agora pertences à memória oral de todos os que te conheceram e tomaram como especial, como eu. Ficas no papel brilhante impresso a cores nas tuas melhores poses e melhores momentos: desde que vieste ao mundo até que cresceste de vez e deixas-te de precisar que te deitassem e aconchegassem.
Que saudades minha querida ...
E pensar que não te volto a ver, nem a sentir. Agora pertences à memória oral de todos os que te conheceram e tomaram como especial, como eu. Ficas no papel brilhante impresso a cores nas tuas melhores poses e melhores momentos: desde que vieste ao mundo até que cresceste de vez e deixas-te de precisar que te deitassem e aconchegassem.
Que saudades minha querida ...
21 de outubro de 2007
Amarelo? Triste é vestir amarelo sem sentir amarelo quando a sala, a casa e tudo ficam vazias de vozes, de risos, de abraços. É beber café sem lhe sentir o gosto e o quente das conversas com a avó. É fechar os braços sem sentir um abraço.
A noite leva-me a vontade, o sorriso e a capacidade para gesticular palavras num texto com nexo.
Amanheceu, está frio. Um frio que enrigece e fixa o cinza do vazio. Os raios de sol não se espreguiçam até tocar no meu rosto e nos meus caracóis desfeitos, não me trazem o amarelo nem devolvem o sorriso néctar.
Levanto-me a custo, rastejo-me até à aula e na sala só consigo ouvir uma voz, ao fundo, com uma conversa que não me entra nem me faz sentido.
Vendem-se certezas? É que eu preciso de algumas
Só queria mesmo dizer que tenho saudades dos meus amarelinhos ...
A noite leva-me a vontade, o sorriso e a capacidade para gesticular palavras num texto com nexo.
Amanheceu, está frio. Um frio que enrigece e fixa o cinza do vazio. Os raios de sol não se espreguiçam até tocar no meu rosto e nos meus caracóis desfeitos, não me trazem o amarelo nem devolvem o sorriso néctar.
Levanto-me a custo, rastejo-me até à aula e na sala só consigo ouvir uma voz, ao fundo, com uma conversa que não me entra nem me faz sentido.
Vendem-se certezas? É que eu preciso de algumas
Só queria mesmo dizer que tenho saudades dos meus amarelinhos ...
15 de outubro de 2007
Da janela vejo janelas, pequeninos quadradinhos de luz alinhados e mudos. Na rua passa um carro aqui e outro ali, de vez em quando. Os semáforos estão de um amarelo indeciso. Já te disse que as cores desmaiam quando te vais embora? E o silêncio se torna barulhento e perturbador dos sentidos? Há tantas coisas que nos esquecemos de dizer, não é? Estamos sempre demasiado preocupados em consumir os minutos, os segundos da forma mais sôfrega. Quando te vais embora é que me lembro de tudo o que te devia ter dito e não disse. Por isso tenho sempre saudades tuas, do teu cheiro, dos teus olhos, do teu quentinho.
Amanhã é "o primeiro dia do resto da minha vida" e como eu gostava que subisses aquelas escadas de terra batida e à entrada me desses um beijo na testa para eu me sentir forte.
As surpresas existem, sabias?
Amanhã é "o primeiro dia do resto da minha vida" e como eu gostava que subisses aquelas escadas de terra batida e à entrada me desses um beijo na testa para eu me sentir forte.
As surpresas existem, sabias?
17 de setembro de 2007
É a hora! Escolho a mala maior e encho do que posso. Roupa, objectos pessoais e um atafulhado de recordações que nunca deixo para trás! A vida vai na mala e à medida que aperto o fecho o coração aperta.
Vocês, amigos, vão comigo! Para eu não me sentir sozinha à noite, quando o silêncio ecoa ruidoso nos meus pensamentos e quando o escuro me arranca as paredes, o chão e tudo. Levo-vos para me darem um abraço e um beijinho de boa noite, para me dizerem que estou a ir bem ou que o caminho não é bem esse, para vos sorrir e dizer que são especiais.
Não pensem que isto é uma despedida. É apenas um "Volto já"!
Os amigos não se despedem, pois nao?
Vocês, amigos, vão comigo! Para eu não me sentir sozinha à noite, quando o silêncio ecoa ruidoso nos meus pensamentos e quando o escuro me arranca as paredes, o chão e tudo. Levo-vos para me darem um abraço e um beijinho de boa noite, para me dizerem que estou a ir bem ou que o caminho não é bem esse, para vos sorrir e dizer que são especiais.
Não pensem que isto é uma despedida. É apenas um "Volto já"!
Os amigos não se despedem, pois nao?
2 de setembro de 2007
Parte III
Agarraste-me a mão e passeámos na praia, naquela areia que já não me parecia fria. Estava quase a amanhecer e à medida que os raios de sol nos tocavam a pele eu segurava com mais força a tua mão, tinha medo que fosses embora, que voltasses à tua vida atarefada e desligada do meu mundo e da minha loucura por ti.
E, quando já era dia, quando já tudo era sol, olhaste-me nos olhos muito sério. Eu, cheia de medo, limitei-me a baixar a cabeça, como se esperasse a pior das tuas frases. Foi aí que abriste o teu lindo sorriso e me disseste "Sim, quero ficar contigo para sempre!".
E, quando já era dia, quando já tudo era sol, olhaste-me nos olhos muito sério. Eu, cheia de medo, limitei-me a baixar a cabeça, como se esperasse a pior das tuas frases. Foi aí que abriste o teu lindo sorriso e me disseste "Sim, quero ficar contigo para sempre!".
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